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Coraline e o Mundo Secreto
O título original de O Estranho Mundo de Jack, Tim Burton´s Nightmare Before Christmas, engana muita gente. A grande maioria acredita que foi o cineasta Tim Burton o responsável pela direção dessa cultuada animação em stop-motion, mas a verdade é que ele apenas produziu e criou a história e os personagens do filme. O diretor foi Henry Selick, espécie de "herdeiro criativo" do mestre da técnica de animação com bonecos Ray Harryhausen e pupilo do grande nome da animação experimental Jules Engel (1909 - 2003).

Depois de James e o Pêssego Gigante, Selick retorna aos holofotes com seu maior projeto até hoje, Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009), talvez a mais impressionante animação stop-motion já criada. O longa-metragem é um exercício de estilo emocionante, uma obra-prima de um artista em pleno domínio de sua técnica e dotada de um escopo intimista e de sensibilidade autoral.

Mas em Coraline Selick não se limitou a reproduzir o que sabe fazer melhor. Pelo contrário, foi além, introduzindo um novo desafio ao seu ofício: o 3D estereoscópico. A técnica digital, que faz com que as imagens "saltem" da tela com o uso de óculos especiais, nunca foi tão bem aproveitada antes. Diferente das animações digitais tradicionais que empregam esse tipo de tecnologia, todos os elementos de Coraline foram criados à mão (cenários, personagens, objetos, plantas...) e poder vê-los em profundidade acentua sua presença, que se torna quase física e tátil. A fusão de técnicas jamais parece gratuita ou forçada pois Selick e sua equipe de trinta animadores a exploram com sutileza artística, guardando os maiores choques (profundidade demais, beleza demais) para momentos-chave.

A atenção aos mais ínfimos detalhes de design e arte é louvável. Note o fiozinho que liga as letras do bordado com o nome dos atores nos créditos iniciais, o jeito como o pelo do gato capta a luz (ele precisa ser tocado para ser animado, cada toque faz com que o pelo se mexa um pouquinho), cada folha de grama mexendo-se ao fundo com o vento, a sujeira no parabrisa do carro, a lindíssima referência ao quatro A Noite Estrelada de Vincent van Gogh... e fique até o final para uma surpresa.

É inspirada também a contratação do compositor francês Bruno Coulais para a trilha sonora estilo "caixinha de música" e a presença da banda They Might Be Giants nas canções. O tema da protagonista vai ficar horas em sua cabeça.

Tudo isso, porém, não faria o filme passar de alento visual e sonoro, um poético videoclipe, se o roteiro não fosse igualmente brilhante. O filme é baseado no livro infanto-juvenil de Neil Gaiman, em que uma garotinha chamada Coraline (Dakota Fanning) muda-se com seus pais workaholics (Teri Hatcher e John Hodgman) para um enorme e antigo casarão. Aborrecida, ela começa a conhecer seus estranhos vizinhos e a explorar o local - e acaba encontrando um mágico universo alternativo, onde existem amorosas versões de seus pais com botões no lugar dos olhos.

O texto expande o livro, criando um novo personagem (Wybie Lovat) e desenvolvendo melhor o passado do misterioso Palácio Cor-de-Rosa, sem perder nada do tom sombrio da obra original (é uma adaptação de Neil Gaiman!). Algumas situações também são alteradas, como a ocupação dos pais de Coraline, que justifica duas das melhores cenas do filme (o jardim fantástico e o final) mas é tudo para amarrar melhor os elementos visuais e a narrativa.

Não há pontas soltas no trabalho de Selick, seja na trama dos bordados ou na da história. Com tanto esmero, é um filme para ver, rever e adorar.


007 - Quantum of Solace

O vigésimo segundo filme da mais longa franquia do cinema realmente é o de menor minutagem, mas consegue cumprir as expectativas. Pelo menos as dos fãs. Os cinéfilos, que esperavam algo inovador ou artístico nas mãos do alemão Marc Forster (A Última Ceia, Em Busca da Terra do Nunca, O Caçador de Pipas) podem mesmo se decepcionar, pois o que o cineasta faz é trazer de volta à série alguns elementos que tinham ficado de fora no capítulo anterior. É o caso da vinheta com silhuetas femininas dos créditos iniciais e do jeito galanteador. Nada ainda de Q, as gadgets ou Moneypenny, mas eles não estão fazendo falta. Ainda.

Sim, esse é o filme mais curto da série - o recorde anterior eram os 110 min. de 007 Contra o Satânico Dr. No e 007 Contra Goldfinger -, mas certamente não é o menos agitado. Dos rápidos 106 minutos quase todos eles são correndo de um lado para o outro, pulando atrás dos vilões, acelerando seu novo Aston Martin (que ao final da cena de abertura pré-créditos já está devidamente inutilizável), atirando em alguém, lutando de forma agressiva, pilotando barcos em meio a tiroteios, fugindo sob uma moto ou voando de avião enquanto tenta se esquivar daqueles que querem derrubá-lo.

Ah, tem também o outro tipo de ação, quando Bond usa a sua lábia para se hospedar em um caríssimo hotel e levar para a cama a linda e ruiva Strawberry Fields (ah, os nomes das Bond Girls continuam tão deliciosos quanto suas intérpretes), papel que cabe à quase ex-desconhecida Gemma Arterton (Rocknrolla, Prince of Persia). Por isso, se você tem como costume se entupir de cafeína antes de entrar na sala, recomendo passar pelo cardiologista antes, pois a taquicardia será intensa e ininterrupta.

A história começa do exato ponto em que 007 - Cassino Royale parou, na Itália, e roda o mundo, passando pelo Haiti, Áustria, Inglaterra e Bolívia. Por onde passa, o agente do serviço secreto britânico abusa da permissão para matar que os dois zeros antes do número sete lhe garantem, e vai deixando um escandaloso rastro de sangue. Em uma dessas paradas conhece Camille (Olga Kurylenko), que está em sua própria cruzada vingativa. Enquanto Bond quer pegar os culpados pela morte de Vesper Lynd (Eva Green), Camille vai atrás do ditador que deixou cicatrizes em sua pele e alma.

Todas as sinopses oficiais do filme dizem que os vilões procurados por 007 são os eco-especuladores da Quantum, atualização à antiga SPECTRE. Na minha opinião, o maior perigo que James Bond enfrenta atualmente é a sombra de outro personagem de mesmas iniciais: Jason Bourne. É o mundo-cão dos dias de hoje, que atinge até mesmo os agentes secretos - para o bem e para o mal - e gera comparações. A nova aventura do agente 007 não é um filme ruim, mas está um quantum abaixo do excepcional Cassino Royale.


Quem quer ser um milionário?


Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) joga o anzol e puxa a linha logo no primeiro frame. Ele começa perguntando como um menino da favela conseguiu chegar ao topo do jogo televisivo que dá o título nacional do filme. Dá as alternativas. E logo em seguida já mostra o rapaz sendo brutalmente torturado. O público está fisgado. A resposta é tudo o que interessa.

Na sequência começam a surgir outros aspectos igualmente empolgantes do novo filme do cultuado cineasta inglês Danny Boyle (Extermínio, Sunshine). Enchem os olhos o visual de cores saturadas, a câmera na mão - veloz e inquieta -, e a montagem espertíssima, elementos cujos adjetivos aqui empregados podem ser transpostos às três crianças que o filme acompanha por uma monumental favela de Mumbai, India. Tudo embalado por uma trilha sonora moderna que mistura a música incidental A.R. Rahman com canções indianas contemporâneas e faixas ocidentais, como "Paper Planes", da M.I.A, que aparece em duas versões.

Mas ao menos para os brasileiros deve surgir uma desconfortável má-impressão que se mantém ao longo de todo o primeiro ato. A pobreza é mostrada através de uma ótica que equilibra humor, drama e violência, o que lembra bastante nosso próprio novo clássico de exportação, Cidade de Deus. Felizmente, tal impressão é tão curta quanto a aparição de uma galinha correndo pela favela (juro que se a câmera a seguisse eu levantaria do cinema e iria embora, mas não foi o caso).

Essa idéia errada estende-se por todo o começo porque Boyle desvela seu filme com muita paciência, alternando cenas de um rapaz em três momentos. Conhecemos Jamal (Dev Patel) sendo torturado e entendemos os motivos da tortura na sequência: a polícia quer saber como foi que ele, alguém totalmente desprovido de qualquer educação, conseguiu chegar tão longe no programa Quem Quer Ser Um Milionário?. Seria o jovem um sortudo? Um gênio? Um trapaceiro? Para responder às perguntas da lei, Jamal conta a história de sua infância. Orfão muçulmano, ele cresceu ao lado do irmão Salim e da pequena Latika, por quem nutre uma paixão protetora desde pequeno. Cada personagem é interpretado por três atores ao longo do filme. Todos são cativantes - especialmente os pequenos - mas Dev Patel e Madhur Mittal destacam-se como Jamal e Salim na vida adulta. Já Freida Pinto, a Latika, se restringe a fazer o que deve: parecer linda feita um sari bordado a ouro.

O roteiro de Simon Beaufoy, que adaptou o romance best-selller indiano Q & A, de Vikas Swarup, no entanto, não é sobre dinheiro, mas uma história de amor e destino. Um impensável feel good movie cheio de lixo, violência e exploração - um inusitado filme-família brutal e ao mesmo tempo adorável, uma mistura perfeitamente homogênea do que seriam dois outros filmes de Boyle, Trainspotting e Caiu do Céu, se fossem feitos em Bollywood, o caricato maior mercado cinematográfico do mundo. E quando o plano do cineasta é revelado, em uma guinada de roteiro daquelas pra lembrar pra sempre, cada pedacinho da trama se encaixa, revelando um quebra-cabeça que é não apenas tudo o que já foi comentado aqui, mas também uma homenagem à India, ao seu cinema e, mais importante, às suas pessoas.

"Você queria uma visão da Índia verdadeira? Aqui está!", diz em determinada hora Jamal a um turista. Quem Quer Ser Um Milionário? é uma visão real do país, sim, mas carregada de toda a realidade que uma fantasia é capaz de criar. 


Operação ValquíriaTom Cruise é um cara certinho demais. Até mesmo quando ele interpreta um nazista, o faz como o oficial do exército alemão que tentou (em vão) matar o maior inimigo da história contemporânea, Adolf Hitler (David Bamber). Nem mesmo a devoção com que se dedicou à sua nova religião arranhou seu carisma e bom-mocismo. Prova disso é o fascínio que causa nas pessoas ao redor do mundo. No Japão é quase deus. No Reino Unido, o rei do tapete vermelho. Aqui no Brasil, até "jornalista" pediu para tirar foto ao seu lado.

Para quem não sabe, ele veio ao país desfilar seu sorriso pelo Rio de Janeiro, ao lado da esposa Kate Holmes e a filhinha Suri, e divulgar Operação Valquíria (Valkyrie, 2008), novo filme de Bryan Singer (X-Men 1 e 2 e Superman O Retorno). A trama da produção germano-americana começa na África, onde o coronel Claus von Stauffenberg (Cruise) escreve no seu diário o que pensa sobre o Führer e a Guerra. Para ele, está na hora de acabar logo com tantas mortes e salvar a integridade da Alemanha - ou o que ainda existe dela.

Aos olhos de muitos alemães, o simples fato dele pensar contra o Reich já o tornaria um traidor. Mas olhando do ponto de vista de quem saiu vencedor da Guerra é fácil vê-lo como um destemido soldado, quase um mártir. É aquela velha história do inimigo do seu inimigo, que acaba sendo seu amigo.

E ele não está sozinho. Há um grupo com outros oficiais do exército alemão e civis dispostos a matar Hitler e reconstruir a Alemanha. Mas nem todos eles têm o mesmo ideal altruísta de Stauffenberg. Alguns ali só querem o poder. E assim, logo depois que seu último plano de assassinato falha, eles começam a imaginar uma nova forma de acabar com o já debilitado Hitler e seu regime. A saída imaginada pelo coronel inclui usar um plano de contingência criado pelo próprio Führer para dar um golpe de Estado, prender os oficiais da SS e tomar o poder usando os reservistas. É a tal Operação Valquíria do título.

Escrito por Christopher McQuarrie e Nathan Alexander como um thriller com pano de fundo histórico, o filme funciona pouco na hora de construir o suspense e um dos motivos é óbvio: já sabemos como vai acabar. Resta então seguir os golpistas e ver o que foi que deu errado. E é nessa hora que o filme consegue empolga. Este sim é o grande mistério, e deveria ter sido mais explorado.

Se há pequenas falhas na hora de contar a história, dando até mesmo poucas informações sobre o passado do von Stauffenberg, o mesmo não se pode dizer da História. É visível na tela toda a preocupação de Singer e sua equipe com a impecável de reconstrução de figurinos e cenários, fruto de muito estudo e trabalho por parte da produção, principalmente da Direção de Arte.

O segredo para gostar do filme, então, é não esperar mais um filme sobre o Holocausto, tema tão comum nessa época de Oscar. Operação Valquíria funciona melhor para aquelas pessoas que vão atrás do novo filme do ídolo. E nesse ponto, uma coisa tem de ser dita: não é o filme que vai causar uma reviravolta na carreira de Tom Cruise (como teria sido se ele tivesse matado o Hitler), mas também não lhe fará mal. 


O Curioso Caso de Benjamin Button

David Fincher recentemente declarou seu total desinteresse em realizar uma sequência para Se7en - Os Sete Pecados Capitais. "Tenho mais interesse em ter cigarros sendo apagados em meus olhos", comentou na ocasião. O cineasta é categórico: "Eu vivo tentando sair de baixo de minha própria sombra. Eu não quero fazer a mesma porcaria de novo e de novo".

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008) é a mais nova tentativa do diretor nesse sentido. E não poderia ser mais bem-sucedida e distinta de toda a sua brilhante cinematografia. Trata-se de uma fábula, levemente baseada no conto de F. Scott Fitzgerald (1896-1940), escrito em 1922, sobre um sujeito "nascido em circunstâncias incomuns". Benjamin Button nasce velho, às portas da morte e doente. No entanto, do lado oposto da citada "porta"... afinal, a cada minuto ele rejuvenesce, numa dramática inversão do ciclo da vida.

No início o filme assombra pelos efeitos. É inacreditável ver o bebê/velho, abandonado na escada de um asilo, com o rosto enrugado de Brad Pitt. Leva algum tempo para que essa sensação de estranheza se dissipe, mas o ritmo pacato e centrado do primeiro ato é focado nesse sentido. Conforme Benjamin torna-se capaz de sentar-se, começa a balbuciar suas primeiras palavras, levanta-se com o auxílio de muletas, vamos nos acostumando com o corpo senil do astro de Hollywood, criado através de computação gráfica e efeitos práticos de maquiagem. Enfim, quando Benjamin está pronto para explorar o mundo lá fora estamos mais que prontos a acompanhá-lo.

Nesse ponto, O Curioso Caso deveria mudar seu título para O Fascinante Caso... antes de tornar-se O Poético Caso de Benjamin Button. Sim, pois a premissa estranha dá lugar a uma meditação sobre a mortalidade, a passagem do tempo (e dos tempos) e o amor, em uma bem amarrada sucessão de eventos históricos vividos pelo protagonista.

A estrutura lembra bastante Forrest Gump - e não é por acaso: o roteiro é de Eric Roth, o mesmo escritor do premiado filme estrelado por Tom Hanks e divide com o longa anterior o mesmo delicado equilíbrio entre drama, humor e aventura, ainda que Fincher tenha um estilo mais maduro que o de Robert Zemeckis e seja mais esteta e meticuloso que o colega, buscando emoções e atmosferas distintas em cada segmento registrado, como a Segunda Guerra Mundial, o movimento beatnick ou a Nova Orleans pré-Katrina.

Não falta aqui também um relacionamento impossível, como o de Forrest e Jenny. Benjamin "cresceu" ao lado da menina Daisy, que ele encontra nas férias quando a garota vai visitar a avó no asilo. A diferença de idade aparente, porém, os afasta. Até que eles se encontram anos depois - ela 20 anos mais velha, ele 20 anos mais moço. Aliás, a cena em que Cate Blanchett, que vive Daisy, ao pé da escada, reconhece o amigo, é uma das mais emocionantes do filme. O casal protagonista está perfeito, bem como o excepcional elenco de apoio que inclui Tilda Swinton, Taraji P. Henson, Jason Flemyng e Jared Harris.

Não dá para deixar de exaltar também a deslumbrante direção de fotografia de Claudio Miranda, a direção de arte de Donald Graham Burt ou a trilha de Alexandre Desplat. Fincher soube cercar-se como nunca de talentos para realizar sua mais poética obra, uma que - como se ele já não estivesse - o arranca debaixo de sua sombra e o coloca sob as mais brilhantes luzes da sétima arte.


Pagando bem, que mal tem?

Apesar de estar se aproximando dos 40 anos de idade, o diretor, roteirista, ator, humorista e supernerd Kevin Smith continua com o mesmo jeitão de moleque de sempre. E sem largar o bermudão, boné e a camiseta jersey, segue tentando superar seu insuperável sucesso de estreia, O Balconista (Clerks, 1994).

Depois de alguns filmes dentro do Askewverse (universo de personagens e situações criado dentro de sua produtora, a View Askew), sua nova tentativa, Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack And Miri Make a Porno, 2008) é ao mesmo tempo o mais apelativo e comportado de todos os seus filmes.

Apelativo porque desde o título original (Zack e Miri fazem um filme pornô) já escancara o tema principal, o sexo, como seus filmes jamais fizeram. Havia, sim, muita falação sobre o assunto, mas pouco registro gráfico. Mas Pagando Bem é ao mesmo tempo um filme comportado porque se adequa a fórmulas conceituadas e confortáveis, algo do que Smith sempre se esquivou.

Note como a premissa se adequa a boa parte das comédias românticas já realizadas: homem e mulher são amigos em busca da pessoa ideal. Certo dia percebem que sempre estiveram diante da pessoa certa - mas circunstâncias os afastam... pelo menos até que eles admitam os sentimentos que nutrem um pelo outro.

Sinopse industrializada à parte, é nos detalhes que Smith consegue transformar o tema em algo seu. Ou quase seu, já que fica o tempo todo uma impressão que o cineasta promissor de outrora tenta agora correr atrás do prejuízo imitando o novo midas da comédia, Judd Apatow. Até Seth Rogen, colaborador frequente do segundo, Smith conseguiu contratar para seu filme.

Na trama, Rogen vive Zack, sujeito pobretão que trabalha em um café e gasta todo seu dinheiro com besteiras. Elizabeth Banks interpreta Miri, colega de quarto dele. Os dois são os amigos que descrevi acima - mas seu problema emergencial aqui não é o amor, mas dinheiro. Depois de um encontro fortuito durante uma reunião de amigos de colégio, Zack tem a brilhante ideia de fazer um filme pornô. Não há o que dar errado com um filme pornô - todo mundo gosta, todo mundo assiste. Eles ficarão ricos.

Ao injetar um elemento tão absurdo em uma estrutura segura, Smith desperta interesse ao filme. Também acerta (e muito) no elenco. Banks e Rogen estão ótimos - e as participações de Brandon "Superman" Routh, Justin Long, Jason Mewes, Craig Robinson (um gênio) e as atrizes pornô Traci Lords e Katie Morgan são excelentes.

O desenvolvimento, porém, não sai muito do lugar-comum... é assexuado demais (fora um exagero escatológico, que chega a incomodar). De qualquer maneira, pelas boas piadas, elenco acertado e tema tão inusitado, Smith tem mais um bom filme nas mãos. Pena que ainda estejamos esperando que ele supere o insuperável O Balconista... 

 

 
 
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