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MANÉ
DA DICA
Vilmar Carneiro
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TARRAFADAS DO MANÉ
O Mané da Dica anda uma arara. Quando ficou sabendo que o Governo Federal proibiu a pesca da tarrafa, ele arregalou o zóio, tomou quatro doses de ki-suco e subiu nas tamancas. O danado até já falou com os políticos da região e disse que não vai acatar a decisão dos homens da lei. Como ele não é homem de sentir-se derrotado, o danado Mané foi luta.
“Já pensaram bem no assunto. Que absurdo. Nóis vive a vida inteira da pesca, paga coisa aqui, taxa acolá e no final da vida tem de ver um besteragem destas. Isso é coisa de engravatadinho que fica atrás da mesa. Quando não fica só o paletó”, esbravejou o Mané.
Lá no Sindicato ele reuniu toda a turma e iniciou um movimento, “DÊ UMA TARRAFADA NOS POLÍTICOS”. Chamou seus amigos e colegas, subiu na cadeira e começou a discursar. “Quero sabê quem foi o doido que disse que pegar arguns peixinhos de tarrafa é pesca predatória. Que conversa é essa. Os barcos de pesca fazem pior e ninguém faz nada. Quero esses políticos chegando lá em casa. Vou dar com o chumbo na cabeça deles e amarrá-los com a fieira. É, eu morro e não vejo tudo”, setenciou o nosso herói.
Confesso que o Mané irritado é coisa feia. Mesmo assim, ele não perde a pose e acabou contando uma das suas.
“Lembro que uma vez eu tava tarrafeando na boca do rio, quando chegou o pessoal do Ibama. Foram levando as tarrafa da rapaziada. Os poliça mesmo com pena de nóis iam jogando as tarrafinhas no camburão. Nada podiam fazer. Era ordem dos engravatados. Quem não possuía carteirinha, tinha sua tarrafa apreendida. E eu, que tinha esquecido meus documentos em casa. Quando percebi a ação dos homi joguei minha tarrafa no rio e soltei a fieira do braço. Chegaram em mim, pediram a licença, disse que não estava comigo. Perguntaram por minha tarrafa e mostrei só a ponta da fieira, que balançava na correnteza do rio. Então falei. Se quiserem levá-la entrem na água e peguem. Desistiram. Foram para outro lugar, para outra praia. Dispois de muito tempo peguei a tarrafa do Tonico das Fátima, joguei em cima da minha fieira e trouxe a danada de volta pra cima. Pra minha surpresa ela tinha caçado quatro tainhas, com mais de três quilos cada, sendo que três delas eram ovadas. Fiquei no lucro. Não perdi minha tarrafa matadeira e ainda escalei três tainhas. A outra mandei a Dica fazer assada na folha de bananeira. Acho que é assim que nóis temo que fazer. Uma ova para esses engravatados duma figa”, despejou o Mané.
Depois de muita conversa o Mané foi pra casa esticar a matadeira, remendar algumas malhas, pois à noite o seu destino será a beira da praia. E quem sabe ele não pega uma lulinhas e já manda fritinhas pro Fritz
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