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Carlos Rodrigo Martins Dias
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...Nas águas da guanabara...
Quem já ouviu a belíssima música O Mestre-sala dos Mares, de Aldir Blanc e João Bosco? Se você, amigo (a) leitor (a), ainda não ouviu, procure apreciar essa obra que reverencia um dos grandes heróis do Brasil: JOÃO CÂNDIDO. O Marinheiro João Cândido, que ficou conhecido por Almirante Negro, nasceu na Província do Rio Grande do Sul, em 1880, e liderou uma revolução chamada Revolta da Chibata, em 1910. João entrou para Marinha aos 13 anos. Na época o Governo Brasileiro achou uma “boa” saída para ocupar os ex-escravos que tinham sido libertos em 1888: As Forças Armadas. Contudo, a Marinha do Brasil ainda continuava castigando corporalmente os marinheiros. Em 1908 João Cândido e outros marujos ficaram dois anos na Inglaterra acompanhando a construção de dois navios que foram comprados pelo Brasil. Lá na Inglaterra os marinheiros souberam que os russos se rebelaram, em 1905, por melhores condições de trabalho. Quando chegaram ao Brasil, João Cândido e seu redator e braço direito Francisco Dias Martins, conhecido por Mão-negra, organizaram o levante. O combinado seria que quando o 1º marujo fosse chicoteado a revolta teria início. No dia 22 de novembro de 1910 o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes recebeu 250 chicotadas. Sobre essa covardia Aldir Blanc e João Bosco cantavam: “Rubras cascatas / Jorravam das costas dos negros / Pelas pontas das chibatas.” Logo, os revoltosos se voltaram contra os oficiais matando-os ou fazendo-os prisioneiros nos navios. Quando o presidente Hermes da Fonseca não deu crédito ao levante, os navios tomados pelos marinheiros foram posicionados com seus canhões apontados para capital do Brasil na época, Rio de Janeiro, até que os marinheiros fossem respeitados como cidadãos de fato. E mandaram fogo mesmo! Os castigos “acabaram”, mas muitas perseguições aconteceram depois aos heróis marinheiros, mas isso fica para o próximo texto. Para o momento deixo novamente um trecho da música O Mestre-sala dos Mares: “Glória a todas as lutas inglórias / Que através da nossa história / Não esquecemos jamais / Salve o Almirante Negro / Que tem por monumento / As pedras pisadas do cais.”
Na próxima semana: OS DESTINOS DOS HERÓIS MARINHEIROS.
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